segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

O Nosso Balanço III


O Nosso Balanço

3 – As Tertúlias: Abílio Gil Moreira

Teve lugar em 28 de Outubro e contou com a presença do filho Arq.º Carlos Alberto Gil Moreira, a quem agradecemos.

Foi uma noite de grandes recordações, aqui e ali vivida também com alguma emoção.

Numa primeira intervenção Gil Moreira falou do pai e relembrou o Homem que muitos conhecemos, pessoa inteligente, sensível, organizada. E vieram à baila as capacidades que o notabilizaram no ciclismo, onde foi praticante de grande nível, representando o Benfica, clube no qual ombreou com José Maria Nicolau e outros de grande valia.

Mais tarde foi tudo no ciclismo: jornalista, treinador, estudioso, fabricante e comerciante.

A sala foi-se entusiasmando a pouco e pouco e, à medida que Gil Moreira ia exibindo recordações (livros, apontamentos, dedicatórias, objectos) cada uma dos presentes reviveu a imagem daquele que foi uma das maiores figuras do ciclismo português.

Fechando com chave de ouro, o anfitrião, Dr. Jorge Pereira de Sampaio, fez a proposta de que fosse atribuído o nome de Abílio Gil Moreira a uma das ruas de Alcobaça o que mereceu a aprovação de todos os presentes e vai ser levado às instâncias competentes.

Segue-se uma pequena resenha para relembrar quem foi o Abílio Gil Moreira e algumas fotografias para recordarmos a Tertúlia:

Abílio Gil Moreira nasceu a 13 de Junho de 1907, sendo, portanto, um ano mais velho que os seus colegas e rivais, os conhecidos Nicolau e Trindade, com quem conviveu.

Desde pequeno conviveu com muitos dos pioneiros do Ciclismo em Portugal o que foi decisivo no seu bem conhecido amor pela modalidade.

Aos 17 anos já estava a competir em provas oficiais e mais tarde, durante longos anos, a descrever e a criticar a modalidade em jornais e revistas diversas.

Concluímos este apontamento com um texto extraído, com a devida vénia, do livro “A História do Sport Lisboa e Benfica em Duas Rodas”, de onde são também extraídos a caricatura e a fotografia que apoia o texto.

Foi um dos corredores de melhor preparação técnica, em várias épocas, a começar por 1931, em que conquistou e ajudou a conquistar numerosos triunfos:

Vencedor das provas clássicas da União Velocipédica em 1931, a Volta dos Campeões da Figueira da Foz em 1932; vitória na Taça dos Inválidos do Comércio, Volta a Portugal em miniatura com 6 etapas; vencedor da Lisboa – Cascais – Lisboa; vencedor da prova Alcanena – Alcobaça e grande prémio da Vila Moreira; dezasseis vitórias em provas de pista, nomeadamente, campeonato regional “horas à americana”; critério internacional, provas de velocidade pura e de perseguição, duas vitórias sobre Rolos…

Estas foram algumas das suas vitórias individuais, muitas foram também as vitórias colectivas do Benfica das quais fizeram parte, dezasseis triunfos, formando equipa com José Maria Nicolau e Carlos Domingos Leal.

Gil Moreira após abandonar o ciclismo como atleta encontrou novas formas de servir o ciclismo: como jornalista e dirigente.

Como jornalista acompanhou a Volta à França em bicicleta no ano de 1946, especialmente convidado pelo jornal L’Equipe, sendo assim o primeiro jornalista a ter honra de acompanhar a Volta a França, tendo feito reportagens para: Mundo Desportivo e Diário de Notícias, e de camisola ainda como jornalista a sua presença na Volta a Espanha, e na Volta a Itália realizando reportagens para Mundo Desportivo, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e Diário Popular.

Deve-se ainda, à iniciativa de Gil Mreira a ida do primeiro ciclista Português (Alves Barbosa) à Volta à França em 1953. Como técnico deu treinos às equipas de ciclismo do Moscavide e do Águias de Alpiarça.

Foi por seu alvitre que se construiu a pista de ciclismo de Alpiarça que ainda hoje existe.

Director técnico da equipa da “Iluminante”, primeira equipa profissional existente em Portugal.

Autor do livro “ABC do Ciclismo” publicado em 1964 visando a aprendizagem da modalidade. EM 1980 é editada a obra de Gil Moreira “A História do Ciclismo Português”.

Após este relato é necessário acrescentar as palavras do jornalista Carlos Pinhão em 1987:

Era um senhor, tomou a peito o ciclismo, estudou-o e fez dessa paixão o seu modo de vida, estabeleceu-se com uma empresa de bicicletas e foi técnico de ciclismo, seleccionador nacional, dirigente, organizador, jornalista, foi tudo o que se poderia ter sido no nosso ciclismo.”

1 comentário:

Seigokan Portugal disse...

Caros Amigos,
Qual foi o ano de fundação da equipa de ciclismo da Iluminante?
Por acaso, possuem ou conhecem o seu emblema?
O meu tio, Eduardo Lopes, foi muitos anos chefe de fila da equipa da Iluminante, onde venceu no clássico Porto-Lisboa em 1942.
Com os meus cumprimentos,
Eduardo Lopes